domingo, 26 de abril de 2020



MORO X BOLSONARO E VICE-VERSA
Por Jefferson Bellomo


A discussão é boa.

Os dois lados têm um fator em comum que encantou as pessoas de bem deste país: eles tiraram o PT do poder. Moro fez isso com isenção (apesar das teorias conspiratórias esquerdistas que só os militantes acreditam), capitaneando a maior operação de combate à corrupção que se conhece e Bolsonaro, representando os valores judaico-cristãos brasileiros (sim, a nossa cultura é majoritariamente judaico-cristã, apesar da Globo, do STF, da Folha...). Ele surfou eleitoralmente nas indignações "lavajatistas" e de um povo que não aguentava mais doutrinação ideológica nas escolas, crianças tocando em homem pelado, exposição de bizarrices sexuais para colegiais, marchas da maconha, bandidolatria, etc.

Corrupção econômica e corrupção da cultura judaico-cristã são programas intrínsecos ao marxismo. A mentalidade revolucionária não suporta a família e adora um estado grande, cheio de burocratas sustentados pela máquina pública e pelos bolsos dos contribuintes. O povo brasileiro deu um basta.

Moro e Bolsonaro, Bolsonaro e Moro foram ícones dessa luta e cada um teve o seu papel para afastar mensaleiros, petroladrões, empreiteiros e outros miasmas da cadeira do poder.

Moro era um juiz de primeira instância, com larga experiência no combate aos crimes de lavagem de dinheiro e com muita disposição de cumprir o seu papel institucional, mostrando serenidade emocional, excelência no domínio da técnica jurídica e muita coragem em não desistir ou se intimidar, apesar de ser dia e noite achincalhado pelos esquerdopatas dos gabinetes e das redes sociais.

Bolsonaro vinha de uma outra trajetória. Foi capitão do Exército Brasileiro, ficou quase três décadas na Câmara dos Deputados e lá travou batalhas titânicas contra uma série de projetos que visavam rasgar os valores da família brasileira, como a legalização do aborto, as cartilhas de (des)orientação sexual para crianças, o pagamento de pensões para terroristas e outras sandices marxistas.

Apoiar Moro era exaltar o combate à corrupção. Apoiar Bolsonaro era defender os valores mais caros da nossa sociedade.

No dia 24 de abril de 2020 houve uma ruptura entre aqueles dois símbolos do bom combate. O ex-juiz da Lava Jato fez denúncias graves contra o Presidente da República e este, por sua vez, acusou o ex-ministro de traição.

Moro largou 22 anos de magistratura federal, um dos cargos mais difíceis de se conseguir (é mediante concurso, e não por indicação) e um dos de maior responsabilidade na República. Largou os seus processos para assumir um cargo que lhe permitisse dar continuidade ao trabalho iniciado em Curitiba. Se você quiser lutar contra o sistema, você não faz isso em uma vara federal paranaense; faz ligado à Praça dos Três Poderes da Capital Federal.

A presença do ex-juiz no Ministério da Justiça era um atestado do compromisso do novo governo com o combate à corrupção.

Bolsonaro prometeu "carta branca" para Moro, ou seja, liberdade de ação (inclusive para as nomeações e exonerações) e de apoio às suas medidas. Sob tais condições, Moro aceitou e veio a Brasília trabalhar. Passados alguns meses de "namoro", começaram os conflitos.

O Presidente rasgou a tal carta branca. Retirou o antigo COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) do Ministério da Justiça, dificultando a investigação financeira dos crimes de enriquecimento ilícito. Por que tirar o COAF do Ministério da Justiça e Segurança Pública?

Foi a partir do COAF que se chegou ao esquema da "Rachadinha" na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, o que fez a polícia bater na porta do senador Flávio Bolsonaro. O senador investigado levou o assunto ao STF, acordou abafar a "CPI da Lava Toga" e o presidente da Suprema Corte suspendeu todas as investigações daquele órgão. Moro foi conversar com Toffoli para reverter a decisão sem sucesso, mas conseguiu desagradar o pai do senador que, a partir daí, quis demiti-lo.

Depois Bolsonaro atropelou Moro para substituir o superintendente da Polícia Federal (PF) no Rio de Janeiro, Ricardo Saadi, indicação Maurício Valeixo, diretor geral da PF colocado por Moro. O Presidente queria uma "interlocução mais próxima" com Valeixo sobre as investigações. O diretor da PF resistiu e se tornou figura non grata para Bolsonaro. Por que Bolsonaro queria a troca do comando da PF na base eleitoral de sua família?

O Governo não se mexeu para aprovar o pacote anticrime capitaneado por Moro e ainda permitiu a inclusão de uma aberração jurídica denominada "juiz das garantias", defendido pelo comunista Marcelo Freixo (PSOL/RJ), e a aberração não foi vetada pelo Presidente, apesar de não ter tido pudores em vetar outros 25 pontos do dito projeto. No geral, era mais uma forma dos políticos tentarem escapar das prisões de cautela, aquelas que retiram a liberdade dos investigados para que eles não atrapalhem as investigações. Alegria dos parlamentares mensaleiros. Moro não gostou.

Na sequência, Bolsonaro pensou em desmembrar o ministério de Moro, criando o Ministério da Segurança Pública, que ficaria no comando de deputado Alberto Fraga, político condenado a 5 anos de prisão por receber R$ 350 mil para firmar contrato entre cooperativa de ônibus e governo do DF. Moro ficaria só responsável pela tutela de indígenas e por dar visto a estrangeiros. A repercussão foi péssima e o desmembramento não foi feito. Cabe a pergunta, por que Bolsonaro queria tirar o comando ministerial da Polícia Federal de Moro?

Não foi só isso. Bolsonaro, o homem que dizia que acabou o "toma-lá-dá-cá" agora se junta ao "Centrão", grupo da Câmara que reúne legendas como PP, PL, Republicanos, PSD e PTB e são conhecidos como os reis do "fisiologismo político", o famoso "é dando que se recebe". Boa parte deles são investigados do escândalo do Petrolão.

A gota d'água foi Bolsonaro exigir que Moro tomasse uma providência para trocar Valeixo, justificando a determinação com a notícia bombástica veiculada pelo "O Antagonista". A matéria informava que o inquérito dirigido pelo STF possuiria a relação de 10 a 12 deputados bolsonaristas, mais empresários e que a busca e apreensão só não foi feita por conta da quarentena decorrente da pandemia do coronavírus. Um dos alvos da investigação seria os filhos do Presidente, Carlos Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro.

Em meio a uma pandemia que já vitimou mais de 4 mil brasileiros, Bolsonaro se reuniu com o seu ministro da Justiça no dia 23 de abril anunciando que exoneraria Valeixo e Moro, por sua vez, avisou que se demitiria por falta de condições de trabalhar.

Valeixo caiu, Moro saiu, e Bolsonaro colocou Alexandre Ramagem, diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), para ser o diretor da Polícia Federal. Ramagem é amigo da família Bolsonaro e um dos conselheiros do Presidente.

Os eleitores do Capitão e admiradores de Sérgio Moro agora estão divididos. Ambos adjetivam o ícone oposto como traidor e covarde. Um "traidor" e "covarde" levou uma facada fazendo campanha eleitoral e o outro "traidor" e "covarde" enfrentou a maior máquina de corrupção já descoberta e foi fundamental para desapear o Partido da Trapaça do poder, sendo alvo de ameaças da cúpula do Judiciário, da elite política e dos militantes de plantão.

Quem é de bem está muito triste com tudo isso. Um dos dois personagens (ou os dois) está mentindo para aqueles que confiaram em um país melhor. Independente do resultado, uma coisa é certa: o prejuízo é do Brasil.