MORO X BOLSONARO E VICE-VERSA
Por Jefferson Bellomo
A discussão é boa.
Os dois lados têm um fator em
comum que encantou as pessoas de bem deste país: eles tiraram o PT do poder.
Moro fez isso com isenção (apesar das teorias conspiratórias esquerdistas que
só os militantes acreditam), capitaneando a maior operação de combate à
corrupção que se conhece e Bolsonaro, representando os valores judaico-cristãos
brasileiros (sim, a nossa cultura é majoritariamente judaico-cristã, apesar da
Globo, do STF, da Folha...). Ele surfou eleitoralmente nas indignações "lavajatistas"
e de um povo que não aguentava mais doutrinação ideológica nas escolas, crianças
tocando em homem pelado, exposição de bizarrices sexuais para colegiais,
marchas da maconha, bandidolatria, etc.
Corrupção econômica e corrupção
da cultura judaico-cristã são programas intrínsecos ao marxismo. A mentalidade
revolucionária não suporta a família e adora um estado grande, cheio de
burocratas sustentados pela máquina pública e pelos bolsos dos contribuintes. O
povo brasileiro deu um basta.
Moro e Bolsonaro, Bolsonaro e
Moro foram ícones dessa luta e cada um teve o seu papel para afastar
mensaleiros, petroladrões, empreiteiros e outros miasmas da cadeira do poder.
Moro era um juiz de primeira
instância, com larga experiência no combate aos crimes de lavagem de dinheiro e
com muita disposição de cumprir o seu papel institucional, mostrando serenidade
emocional, excelência no domínio da técnica jurídica e muita coragem em não
desistir ou se intimidar, apesar de ser dia e noite achincalhado pelos
esquerdopatas dos gabinetes e das redes sociais.
Bolsonaro vinha de uma outra
trajetória. Foi capitão do Exército Brasileiro, ficou quase três décadas na
Câmara dos Deputados e lá travou batalhas titânicas contra uma série de
projetos que visavam rasgar os valores da família brasileira, como a
legalização do aborto, as cartilhas de (des)orientação sexual para crianças, o
pagamento de pensões para terroristas e outras sandices marxistas.
Apoiar Moro era exaltar o combate
à corrupção. Apoiar Bolsonaro era defender os valores mais caros da nossa sociedade.
No dia 24 de abril de 2020 houve
uma ruptura entre aqueles dois símbolos do bom combate. O ex-juiz da Lava Jato
fez denúncias graves contra o Presidente da República e este, por sua vez,
acusou o ex-ministro de traição.
Moro largou 22 anos de
magistratura federal, um dos cargos mais difíceis de se conseguir (é mediante
concurso, e não por indicação) e um dos de maior responsabilidade na República.
Largou os seus processos para assumir um cargo que lhe permitisse dar
continuidade ao trabalho iniciado em Curitiba. Se você quiser lutar contra o
sistema, você não faz isso em uma vara federal paranaense; faz ligado à Praça
dos Três Poderes da Capital Federal.
A presença do ex-juiz no
Ministério da Justiça era um atestado do compromisso do novo governo com o
combate à corrupção.
Bolsonaro prometeu "carta
branca" para Moro, ou seja, liberdade de ação (inclusive para as nomeações
e exonerações) e de apoio às suas medidas. Sob tais condições, Moro aceitou e
veio a Brasília trabalhar. Passados alguns meses de "namoro",
começaram os conflitos.
O Presidente rasgou a tal carta
branca. Retirou o antigo COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras)
do Ministério da Justiça, dificultando a investigação financeira dos crimes de
enriquecimento ilícito. Por que tirar o COAF do Ministério da Justiça e
Segurança Pública?
Foi a partir do COAF que se
chegou ao esquema da "Rachadinha" na Assembleia Legislativa do Estado
do Rio de Janeiro, o que fez a polícia bater na porta do senador Flávio
Bolsonaro. O senador investigado levou o assunto ao STF, acordou abafar a "CPI
da Lava Toga" e o presidente da Suprema Corte suspendeu todas as
investigações daquele órgão. Moro foi conversar com Toffoli para reverter a
decisão sem sucesso, mas conseguiu desagradar o pai do senador que, a partir
daí, quis demiti-lo.
Depois Bolsonaro atropelou Moro
para substituir o superintendente da Polícia Federal (PF) no Rio de Janeiro, Ricardo
Saadi, indicação Maurício Valeixo, diretor geral da PF colocado por Moro. O
Presidente queria uma "interlocução mais próxima" com Valeixo sobre as
investigações. O diretor da PF resistiu e se tornou figura non grata
para Bolsonaro. Por que Bolsonaro queria a troca do comando da PF na base
eleitoral de sua família?
O Governo não se mexeu para
aprovar o pacote anticrime capitaneado por Moro e ainda permitiu a inclusão de
uma aberração jurídica denominada "juiz das garantias", defendido
pelo comunista Marcelo Freixo (PSOL/RJ), e a aberração não foi vetada pelo
Presidente, apesar de não ter tido pudores em vetar outros 25 pontos do dito
projeto. No geral, era mais uma forma dos políticos tentarem escapar das
prisões de cautela, aquelas que retiram a liberdade dos investigados para que
eles não atrapalhem as investigações. Alegria dos parlamentares mensaleiros.
Moro não gostou.
Na sequência, Bolsonaro pensou em
desmembrar o ministério de Moro, criando o Ministério da Segurança Pública, que
ficaria no comando de deputado Alberto Fraga, político condenado a 5 anos de
prisão por receber R$ 350 mil para firmar contrato entre cooperativa de ônibus
e governo do DF. Moro ficaria só responsável pela tutela de indígenas e por dar
visto a estrangeiros. A repercussão foi péssima e o desmembramento não foi
feito. Cabe a pergunta, por que Bolsonaro queria tirar o comando ministerial da
Polícia Federal de Moro?
Não foi só isso. Bolsonaro, o
homem que dizia que acabou o "toma-lá-dá-cá" agora se junta ao
"Centrão", grupo da Câmara que reúne legendas como PP, PL,
Republicanos, PSD e PTB e são conhecidos como os reis do "fisiologismo
político", o famoso "é dando que se recebe". Boa parte deles são
investigados do escândalo do Petrolão.
A gota d'água foi Bolsonaro
exigir que Moro tomasse uma providência para trocar Valeixo, justificando a
determinação com a notícia bombástica veiculada pelo "O Antagonista".
A matéria informava que o inquérito dirigido pelo STF possuiria a relação de 10
a 12 deputados bolsonaristas, mais empresários e que a busca e apreensão só não
foi feita por conta da quarentena decorrente da pandemia do coronavírus. Um dos
alvos da investigação seria os filhos do Presidente, Carlos Bolsonaro e Eduardo
Bolsonaro.
Em meio a uma pandemia que já
vitimou mais de 4 mil brasileiros, Bolsonaro se reuniu com o seu ministro da
Justiça no dia 23 de abril anunciando que exoneraria Valeixo e Moro, por sua
vez, avisou que se demitiria por falta de condições de trabalhar.
Valeixo caiu, Moro saiu, e Bolsonaro
colocou Alexandre Ramagem, diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência
(ABIN), para ser o diretor da Polícia Federal. Ramagem é amigo da família
Bolsonaro e um dos conselheiros do Presidente.
Os eleitores do Capitão e
admiradores de Sérgio Moro agora estão divididos. Ambos adjetivam o ícone
oposto como traidor e covarde. Um "traidor" e "covarde"
levou uma facada fazendo campanha eleitoral e o outro "traidor" e
"covarde" enfrentou a maior máquina de corrupção já descoberta e foi
fundamental para desapear o Partido da Trapaça do poder, sendo alvo de ameaças
da cúpula do Judiciário, da elite política e dos militantes de plantão.
Quem é de bem está muito triste
com tudo isso. Um dos dois personagens (ou os dois) está mentindo para aqueles
que confiaram em um país melhor. Independente do resultado, uma coisa é certa:
o prejuízo é do Brasil.